Fones de ouvido em excesso podem colocar a audição em risco

“O dano pode acontecer aos poucos e, muitas vezes, a pessoa só percebe quando a audição já foi afetada”, alerta a fonoaudióloga Alessandra Garrido

Eles estão presentes durante o trabalho, na academia, no transporte, nos estudos e até na hora de dormir. Os fones de ouvido se tornaram parte da rotina de milhões de pessoas, mas um hábito aparentemente inofensivo pode representar riscos quando o volume é elevado e o tempo de exposição ao som é prolongado.

Segundo a fonoaudióloga Alessandra Garrido, o problema não está simplesmente no uso dos fones, mas principalmente na combinação entre intensidade sonora e tempo de exposição.

“O ouvido não foi feito para receber estímulos sonoros intensos continuamente. Quanto maior o volume e mais prolongado o uso, maior pode ser o impacto sobre a saúde auditiva”, explica Alessandra.

Um dos pontos de atenção é que alterações auditivas relacionadas à exposição excessiva ao som podem surgir de maneira gradual. Zumbido, sensação de ouvido abafado, dificuldade para compreender conversas em ambientes ruidosos e necessidade de aumentar cada vez mais o volume são sinais que não devem ser ignorados.

“Quando aparece um zumbido depois de usar o fone ou aquela sensação de que o ouvido ficou tampado, é importante não normalizar. Esses sintomas podem indicar que houve uma exposição sonora excessiva”, alerta.

No ônibus, na academia, no avião ou em locais movimentados, é comum aumentar o volume para compensar o barulho externo. O comportamento pode fazer com que a pessoa permaneça exposta a intensidades elevadas sem perceber.

Por isso, além de controlar o volume, é importante fazer pausas e evitar permanecer muitas horas seguidas com os fones.

“Não precisamos transformar o fone de ouvido em vilão. O problema está no excesso. Usar com consciência, controlar o volume e respeitar os períodos de descanso são atitudes que ajudam a preservar a audição”, afirma Alessandra Garrido.

A atenção deve ser ainda maior entre crianças e adolescentes, que têm contato cada vez mais cedo com celulares, tablets, videogames e outros dispositivos.

“A audição tem relação direta com comunicação, aprendizado e qualidade de vida. Cuidar dela hoje é preservar algo que será essencial durante toda a vida”, conclui a fonoaudióloga.

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